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António Garcia (Lisboa, 1925 - 2015) desenvolveu, ao longo de mais de meio século, uma vasta e diversificada obra de design e arquitetura. Frequentou o curso de desenhador litógrafo na Escola António Arroio, onde teve como professores o mestre Rodrigues Alves e os pintores Aires de Carvalho, Estrela Faria e Lino António. Colaborou com António Sena da Silva em projetos de design gráfico nos anos 1950, e no final dessa década abriu atelier próprio na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Em 1974 associou-se a Daciano da Costa na direção do Gabinete de Design Risco – Projetistas e Consultores de Design. Em 18 de junho de 201o, por ocasião da exposição António Garcia – Zoom In/ Zoom Out, o designer doa à Câmara Municipal de Lisboa/MUDE um acervo de 138 peças, entre as quais os desenhos para os comunicativos selos e cartazes, as notáveis embalagens de tabaco SG Gigante, Kayak, SG Filtro e Ritz, a importante galeria de capas de Autores Modernosda Ulisseia e outras publicações, os inúmeros exemplos de identidade gráfica, as famosas cadeiras Osaka, Gazela e Relax, as mesas Cubox4 e algumas maquetas dos pioneiros stands expositivos.

Membro da primeira geração de designers portugueses, António Garcia muito contribuiu para a afirmação, consciencialização e consolidação do design em Portugal, bem como para a prática do design com uma configuração metodológica e conceptual moderna. Esta coleção dá a conhecer o homem com uma transversalidade de interesses e uma grande paixão e dádiva pelo seu oficio que abraçou, ao longo da sua vida, diferentes áreas do design, opondo-se à ideia de uma especialização disciplinar. Autor de um design humanista, nunca perde o homem como referência primeira e última. As peças que integram o acervo do MUDE permitem verificar a qualidade de cada detalhe e pormenor, o rigor dos vários materiais trabalhados, a simplicidade, força e originalidade das soluções gráficas, e o olhar atento, cuidadoso e, por vezes, irónico, que atravessa todas as suas propostas. Parafraseando António Sena da Silva, seu companheiro e amigo de longos anos, “António Garcia nunca se sentiu vocacionado para as práticas docentes nem para qualquer forma de comunicação verbal que exija um mínimo de formalismo. Limita-se a produzir obras exemplares de arquitetura, design de interiores e equipamento, além de uma obra notável de design gráfico, deixando para outros as justificações verbais”.

Faz ainda parte deste espólio um importante núcleo de livros da Coleção Autores Modernosda editora Ulisseia, doados por Jorge Silva e Sofia da Costa Pessoa.