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Coleção Francisco Capelo


A Coleção Francisco Capelo é um espólio de singular coerência e unidade, em resultado do modo como o colecionador pensou em complementaridade os núcleos de design de produto e moda. Iniciada durante a década de 1990, é um acervo de exceção tanto em Portugal como no panorama internacional. Mobiliário e pequenos objetos refletem os principais designers e movimentos desde 1937 até ao final do século XX. Vestuário, calçado e acessórios tecem a história da moda durante o mesmo período, dando a conhecer os principais autores e alterações da silhueta. No acervo, onde estão representados Alessandro Mendini, Alexander Mc Queen, Balenciaga, Courrèges, Charlotte Perriand, Irmãos Campana, George Nelson, Gio Ponti, Jean Royère, Jean-Paul Gaultier, Joe Colombo, Le Corbusier, Marc Newson, Paco Rabanne, Ron Arad, Viviene Westwood, entre muitos outros.

O núcleo de design de produto havia sido exposto no Museu do Design no Centro Cultural de Belém, entre 1999 e 2006, em sequência do protocolo de depósito da Coleção Francisco Capelo, assinado em 1998, pelo Estado Português, a Fundação Centro Cultural de Belém e o colecionador. Em 2002, a Coleção Francisco Capelo é adquirida pela CML, mantendo-se o Museu do Design aberto no CCB até agosto de 2006. Até maio de 2009, os núcleos de design de moda e design de produto encontraram-se longe do olhar do público, guardados em conjunto nas novas reservas planeadas para o efeito pela CML.

Com 672 peças de design de equipamento e 690 coordenados de moda, a coleção dá a conhecer o luxo da tradição decorativa francesa, em diálogo com a alta-costura dos 1930/40. Um forte núcleo espelha a conjuntura do Pós-Segunda Guerra e a necessidade de repensar o design como produto adaptado aos novos modos de vida, materiais e processos de produção, testemunhando o uso dos novos materiais industriais e a maior versatilidade do mobiliário. 
O crescimento económico e tecnológico que caracteriza a década de 60, e que origina uma explosão de consumo e um otimismo sem precedentes, está também presente na coleção: a pop e o espírito flower power invadem a moda através de flores de plástico ou dos coloridos tecidos estampados. Símbolo da revolução que marca a década, a minissaia está bem representada no acervo. Nos objetos, o moldável e colorido plástico é o material privilegiado, existindo inúmeros exemplos irreverentes e lúdicos que anunciam o espírito pop. O sonho espacial que domina a década e gera uma iconografia “futurista” é recordado através de um forte núcleo de mobiliário, cujas formas remetem para o imaginário lunar, e de vestuário com um look espacial, de cortes geométricos sublinhados pelo branco prateado e metal. Na coleção dialogam exemplos da contracultura dos anos 70: o shock-chic e a antimoda, a par com a radicalidade e o espírito de contestação dos grupos Archizoom Associati e Superstudio. Um forte núcleo de peças dos anos 1980/90 evidencia o contexto pós-modernista, a pluralidade de linguagens e o modo como o design se converte num símbolo de status, ganhando um valor de obra de arte. Bem patente na coleção é o contraste de diferentes estilos emergentes na moda, desde a exuberância e luxo francês ao ascetismo e pureza orientais, da linguagem romântica e barroca à expressão do vestuário como arte. A coleção termina com propostas que marcam o dealbar do século XXI e que articulam linguagens e materiais anteriormente considerados inconciliáveis – artesanato, luxo e minimalismo; high-tech e reciclagem – sendo cada vez mais modulares, nómadas, multifuncionais e orgânicos. Simultaneamente, as tradicionais fronteiras entre o pronto-a-vestir, a moda de rua e a alta-costura diluem-se enquanto os novos designers e ateliers utilizam elementos de todas estas categorias.