PT EN

Miguel Jacobetty: Um escritório para apartamento

31 Mar. 2016 > 15 Mai. 2016

A reconstituição integral e à escala real de um escritório projetado em 1950 pelo arquiteto Miguel Simões Jacobetty Rosa (1901-1970) assinala a doação do Espólio Miguel Martins ao Município de Lisboa/ MUDE – Museu do Design e da Moda, Coleção Francisco Capelo, permitindo reforçar o núcleo dos anos 1950 e dar continuidade à investigação, conservação e incorporação do design português.

 Jacobetty Rosa muito contribuiu para o urbanismo de Lisboa, ao ter sido o autor de obras muito significativas, nomeadamente o Estádio Nacional do Jamor, o plano do Bairro de S. Miguel, o edifício na Avenida António Augusto de Aguiar, nº 9 e o edifício na Rua da Infantaria 16, nº 92 a 94, ambos Prémios Valmor em 1934 e 1931, respetivamente. Jacobetty Rosa foi ainda autor de importantes obras públicas, nomeadamente uma das primeiras pousadas nacionais, a Pousada de Santa Luzia (Elvas), as Pousadas de S. Brás de Alportel e de Santiago do Cacém, para além dos planos de urbanização de Portalegre, Vila Franca de Xira, Alhandra, Caldas de Monchique, Lagos e Torres Vedras.

O Espólio Miguel Martins é constituído por um conjunto coerente de mobiliário desenhado pelo arquiteto Jacobetty Rosa para a Residência de Miguel Martins, na Rua da Imprensa à Estrela, 21-3º, em Lisboa. Para além do escritório que agora é apresentado, e do qual fazem parte uma secretária, duas cadeiras de escritório, uma mesa de apoio, um cadeirão, um armário com candeeiro de pé e sofá acoplado e 3 molduras de escritório, fazem parte do espólio doado um sofá de três lugares de sala de estar, uma cadeira de sala de jantar, uma cama de solteiro, um toucador do quarto de solteiro e o processo completo com dezasseis desenhos originais e cópias heliográficas, assinadas e datadas, de todo o mobiliário desenhado para a referida habitação particular.

Este é um acervo único e de grande valor patrimonial, dada a sua unidade, estado de conservação e documentação técnica que o acompanha. Para além de ser bem representativo da linguagem de Miguel Jacobetty Rosa durante os anos 1950, possui uma singular qualidade formal e denota um exímio trabalho das madeiras. Trata-se assim de um raro e completo exemplo de um interior privado da Lisboa moderna dos anos 1950 que damos a conhecer, graças à doação efetuada.