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História


Em 1866, o BNU transfere a sua sede para o gaveto da Rua do Comércio com a Rua da Prata e torna-se um dos primeiros bancos a localizar-se na Baixa Pombalina, contribuindo decisivamente para a sua afirmação como centro financeiro. Durante os anos seguintes, sobretudo após a implantação da República, adquire várias parcelas do mesmo quarteirão, originando sucessivas obras de ampliação e melhoria no edifício.

A partir de meados de 1920, os trabalhos intensificam-se, altura em que o BNU ocupa já 2/3 do quarteirão. Tertuliano Marques (1883-1942) é o arquiteto que projeta a grande transformação deste espaço. Prevendo a futura ocupação integral do quarteirão, procede à demolição quase integral dos interiores. O edifício fica, então, com 5 pisos, um deles subterrâneo, com entrada do público pela Rua do Comércio. Inicialmente uma construção pombalina, com estrutura em gaiola e fundações em estacas, o quarteirão era constituído, à semelhança de toda a Baixa, por diferentes lotes com distintas funções (habitação, comércio e banca). Com este arquiteto a estrutura do edifício é totalmente alterada (sistema de viga e lage), segundo um novo modelo espacial e os vários serviços bancários passam a organizar-se em torno de um átrio central de forma octogonal, coroado com uma grande claraboia para iluminação zenital.

A segunda grande transformação decorre entre 1951 e 1972, no âmbito das comemorações do centenário do banco programadas para 1964. Este projeto de remodelação e ampliação ocorre em simultâneo com uma série de melhoramentos em agências existentes ou novas edificações no continente e colónias. Adquiridos os lotes em falta junto à Rua Augusta, pela primeira vez um quarteirão inteiro da Baixa Pombalina passa a pertencer a uma só entidade. Para este novo projeto, delimitado pela Rua Augusta e Rua da Prata, Rua de S. Julião e Rua do Comércio, é escolhido Cristino da Silva (1896-1976), figura cimeira do Modernismo em Portugal. Entre os primeiros desenhos de 1952 e as telas finais de 1967 (já após a inauguração de 1964), o projeto sofre profundas transformações. No final, a expressão arquitetónica do quarteirão é uniformizada, é construído um andar em mansarda (4ºpiso), um piso na espessura da cobertura para arquivos (5ºpiso) e a cobertura em terraço (6º piso), esta última, recuada em relação à definição do quarteirão. O edifício fica então com 8 pisos., os tetos de luz, a ampla espacialidade, os revestimentos cromados e inclusão de obras de arte espelhavam a linguagem moderna dos seus projetos iniciais, ao mesmo tempo que o embasamento em pedra no exterior, o pórtico monumental da fachada e a clara hierarquia de acessos e espaços imprimem um gosto mais conservador e monumentalista. O projeto final acaba por ser um compromisso com o passado mantendo a estrutura e a métrica definidas por Tertuliano Marques. Os locais de atendimento público, no piso térreo e no primeiro piso merecem uma atenção particular. Mármores brancos, verdes e negros no chão, nas paredes exteriores e nos balcões corridos, colunas revestidas em aço inox, madeiras exóticas e uma luminária própria definem estes dois espaços nobres. O piso térreo, onde as ruas envolventes são uma presença visual constante, é marcado pelo monumental balcão que acompanha a fisionomia do quarteirão. De formas fluídas e elegantes, modela toda a espacialidade interior imprimindo-lhe ritmo, plasticidade e movimento. Em todo o edifício a integração das artes plásticas e artes decorativas ocorre também com grande mestria. Os inúmeros pormenores e estudos dos interiores, das caixas fortes às salas da direção, do balcão à sinalética, das colunas em inox aos tetos de luz, dos corrimões aos puxadores de porta e detalhes do pavimento, mostram como o valor plástico de todos os elementos é tomado em grande consideração. De sublinhar os dois altos-relevos da fachada principal (insígnia do BNU e escudo nacional com os brasões das possessões ultramarinas) de Leopoldo de Almeida (1898-1975), o painel Epopeia dos Descobrimentos Marítimos de 6x5,80m, da autoria de Guilherme Camarinha, em mosaico de murano Dona Bizantinoque se encontra localizado na escadaria de acesso aos cofres e o painel decorativo, em sépia sobre folha de ouro, de 1964, Principais Atividades do Fomento Ultramarino de Tavela de Sousa e António Cristino.

A terceira grande intervenção é já posterior à fusão e transferência global do património do BNU para a Caixa Geral de Depósitos (CGD). O projeto de modernização da autoria de Dante Macedo e Conceição Macedo (2001) acaba por não se concretizar, uma vez que iniciada a campanha de demolição quase integral dos seus interiores, as obras são interrompidas em 2004, na sequência do parecer do Instituto Português do Património Arquitetónico que considera de relevância patrimonial os elementos ainda não destruídos, nomeadamente o balcão do piso térreo. Já em 2006, depois dos projetos serem aprovados com modificações pela Câmara Municipal, a CGD equaciona a venda do imóvel. Entre 2004 e 2009, o edifício do BNU encontra-se devoluto, com exceção dos cofres de aluguer que se mantêm em funcionamento até final de 2010.

Em setembro de 2008 começa a ser desenhado o projeto do MUDE.