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Vestido camiseiro
“Meninas na praia”
Tafetá de seda
Coleção Primavera/Verão 1988
MUDE.M.0701

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Shirt dress
“Girls at the beach”
Silk taffeta
Spring/Summer Collection 1988
MUDE.M.0701

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Vestido comprido
Musseline de algodão
Coleção Outono/Inverno 1999
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Long dress
Cotton muslin
Autumn/Winter Colletion 1999
MUDE.M.0702

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Vestido
Outras peças recicladas
Coleção Outono/Inverno 2003
MUDE.M.0705

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Dress
Other recicled pieces
Autumn/Winter Colletion 2003
MUDE.M.0705

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Vestido
Outras peças recicladas
Coleção Outono/Inverno 2003
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Dress
Other recicled pieces
Autumn/Winter Colletion 2003
MUDE.M.0705

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Capa
Pele recortada com cortantes A.S
Coleção Outono/Inverno 1999
MUDE.M.0703

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Cloack
Cut out leather with the initials A.S.
Autumn/Winter Colletion 1999

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Sapatos de verniz
Aplicação de cristais Swarovski
Coleção Primavera/Verão 2007
MUDE.M.0708

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Patent leather shoes
Swarovski crystals application
Spring/Summer Collection 2007
MUDE.M.0708

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Sapatos de verniz
Aplicação de cristais Swarovski
Coleção Primavera/Verão 2007
MUDE.M.0708

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Patent leather shoes
Swarovski crystals application
Spring/Summer Collection 2007
MUDE.M.0708

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Vestido camiseiro
“Meninas na praia”
Tafetá de seda
Coleção Primavera/Verão 1988
MUDE.M.0701

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Shirt dress
“Girls at the beach”
Silk taffeta
Spring/Summer Collection 1988
MUDE.M.0701

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Vestido
Algodão
Coleção Primavera/Verão 2007
MUDE.M.0707

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Dress
Cotton
Spring/Summer Collection 2007
MUDE.M.0707

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[Adaptação do ensaio: Coutinho, Bárbara (2016). Ana Salazar. Lisboa: Público, Cardume Editores e ESAD - Escola Superior de Artes e Design. Colecção Designers Portugueses. Volume nº 11.]

Ana Pinto Lobo cresce como filha única num ambiente matriarcal, entre as avós, as tias e as criadas da família. Como referências principais, seu pai, o arquiteto e pintor Oskar Pinto Lobo (1913-1995), e sua avó materna, Arminda, modista de alta-costura para a alta sociedade lisboeta. Ana recorda os serões culturais em casa de seus pais, junto ao Cinema Monumental, em que eram presença assídua João Villaret, Almada Negreiros, Fernanda de Castro ou António Ferro. Recordemos que Oskar Pinto Lobo teve uma intensa atividade como ilustrador, na revista Ilustração e em diversos jornais humorísticos e revistas infantis. Nos anos 1940, trabalhou como designer e decorador da Fábrica Olaio, chegando ainda a ser diretor gráfico do SNI - Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo. Com a avó Arminda, Ana ganha a paixão pelos tecidos e aprende as técnicas de costura, passando a confecionar o seu próprio guarda-roupa.

Em 1957, conhece o homem que viria a ser seu marido e sócio, Manuel Salazar (1939-2010). O ponto de viragem na sua vida dá-se em 1972, quando os dois viajam até Londres e vivenciam a vibrante cultura urbana de Carnaby Street, King’s Road e Chelsea. Decidem então começar um negócio de importação de vestuário e abrir a loja Maçã, em Alvalade. Mesmo antes da revolução política, a Maçã tornava-se num lugar incontornável para os que procuravam a diferença. O seu sucesso espelhava a vontade de mudança que já existia na sociedade portuguesa.

O nome Ana Salazar aparece pela primeira vez à criação de moda em 1978, com a sua marca Harlow. Quatro anos mais tarde, assume o seu nome como marca e, em 1985, a grife Ana Salazar, escrita pela sua própria mão, afirma-se em termos nacionais e internacionais. De 1985 a 1996 apresenta as suas coleções sazonalmente em Lisboa, Paris, Milão e Nova Iorque, e as peças Ana Salazar são comercializadas nas suas lojas e em marcas de referência em Itália, Estados Unidos, França, Japão, Espanha, Holanda, Inglaterra ou Canadá, sendo referenciada inúmeras vezes na imprensa internacional.

Ana Salazar é também pioneira na produção e na comunicação de moda. Desenvolve os primeiros grandes desfiles de moda (Acontecimentos de Moda, 1978-1991) e atribui particular atenção à direção de arte, ao styling, à maquilhagem e aos cabelos, ao mesmo tempo que os catálogos das coleções foram sempre meticulosamente pensados em termos de imagem e produção. 

O seu atelier é escola prática para muitos estudantes e designers de moda, entre os quais, José António Tenente, Alexandra Moura, Filipe Faísca e Mário Matos Ribeiro.

Durante a década de 1990, a marca Ana Salazar ganha força e dimensão. Para além das coleções de pronto-a-vestir, desenha acessórios (óculos, malas, sapatos, lenços, luvas) e perfumes, sendo ainda a primeira criadora a ter uma linha de produtos de autor. A sua extensa e multidisciplinar atividade inclui ainda as fardas para a Air Atlantis, os Caminhos de Ferro Portugueses e os Correios de Portugal. Mesmo depois de perder, em 2012, o direito ao seu nome enquanto marca, Ana Salazar continua sempre ligada à moda, sua eterna paixão.

As peças Ana Salazar que integram o acervo do MUDE permitem conhecer o seu estilo e marca, ao mesmo tempo que demonstram as principais fases do seu trabalho. Características como o privilégio atribuído ao preto integral, o trabalho de drapeados e plissados, o uso dos seus habituais fechos e a reinterpretação permanente do vestido estão presentes nas peças reunidas.

Alguns exemplos:

O vestido camiseiro da coleção Primavera/Verão 1988 merece o primeiro destaque. Vestido aberto sobre uma combinação em mousseline, esta peça tornou-se icónica de Ana Salazar por evidenciar uma sensualidade ingénua, dominante nas propostas na década de 1980, ao mesmo tempo que demonstra a adoção de formas que delineavam o corpo, sem o apertar, privilegiando o conforto, o bem-estar e a liberdade de movimentos e gestos. Ana Salazar desenhou várias vezes vestidos camiseiros, permitindo diferentes conjugações, com combinações, calções curtos, fatos de banho ou calças cigarro.

A coleção permite conhecer algumas reinterpretações da sua peça fetiche – o vestido. Frequentemente em materiais fluidos, acompanham o corpo com suavidade, quase sempre até ao tornozelo. Os efeitos obtidos através de franzidos, entrelaçados, repuxados e drapeados acentuam a sensualidade, coleção após coleção.

A estética punk foi marcando as sucessivas coleções, sobretudo a partir do início dos anos 1990.

Aparece no vestuário de reminiscências militaristas, nos seus habituais fechos, colocados em diferentes direções, nas capas e blusões de pele ou nos vários acessórios que completavam cada coordenado. Esta estética é também identificada pela adoção de cortes assimétricos, pela utilização de complexos plissados e drapeados ou pelos jogos de sobreposições, acentuados pelos cortes e materiais utilizados.

Na década de 2000, Ana Salazar trabalha sobre o seu próprio estilo e linguagem. “Brinca” com o seu léxico e revisita o seu património histórico, reinventando algumas ideias desenvolvidas nas fases anteriores. Acentua as transparências em peças que passam a marcar as formas do corpo com maior evidência, ao mesmo tempo que propõe peças que seguem um ultra-romantismo futurista pelas suas formas e técnicas.

 

 

+ leituras:

Coelho, Tereza e Avillez, Maria Assunção (1987). A Moda em Portugal nos últimos trinta anos. Lisboa: Edições Rolim.

Coutinho, Bárbara (coord. ed.) (2012). Diz-me do que gostas… dir-te-ei quem és. Lisboa: CML-MUDE.

Coutinho, Bárbara (2016). Ana Salazar. Lisboa: Público, Cardume Editores e ESAD - Escola Superior de Artes e Design. Colecção Designers Portugueses, com coordenação de José Bártolo. Volume nº 11.

Duarte, Cristina L. (2002). Ana Salazar – Uma Biografia Ilustrada. Lisboa: Temas e Debates.